Papa-lâmpadas: equipamento descontamina lâmpadas fluorescentes e filtra resíduos

Assunto: Panorama Nacional

Ampla, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, utiliza equipamento que descontamina lâmpadas fluorescentes e filtra resíduos. Companhia já triturou cerca de 400 mil unidades

Dayanne Jadjiski, para o Procel Info

Ampla: solução alternativa para o descarte de lâmpadas fluorescentes

No Brasil são ingressadas no mercado anualmente entre 180 e 200 milhões de lâmpadas que contenham vapor de mercúrio. Desse total, apenas 6% estão sendo descontaminados. Os 94% restantes são descartados e têm como destino final os aterros sanitários ou lixões. O mercúrio contido nestas lâmpadas pode provocar problemas de saúde, como alterações neurológicas, além de contaminar o meio ambiente, quando descartadas sem o tratamento adequado.

Para evitar o problema, a Ampla, distribuidora de energia do Rio de Janeiro que atende a 66 municípios, vem adotando uma solução alternativa para descontaminar as lâmpadas fluorescentes. Em parceria desde 2007 com a Idéia Cíclica (Instituto para o Desenvolvimento Ambiental e Tecnológico), empresa que realiza a descontaminação das lâmpadas, a Ampla já triturou cerca de 400 mil unidades. A companhia paga R$ 0,75 por lâmpada triturada. A estimativa é de que a Ampla processe cerca de 250 mil lâmpadas neste ano. Em 2009, a companhia triturou 190 mil unidades.

Denominado Papa-lâmpadas, o equipamento é composto por um tambor metálico, um tubo de alimentação intercambiável para diferentes modelos de lâmpadas frias, um motor elétrico para quebrar as lâmpadas, um aspirador ativo para evitar o retrocesso do material liberado na quebra da lâmpada e um container com carvão ativado para retenção do vapor de mercúrio retirado da lâmpada. O Papa-lâmpadas possui um triplo sistema de filtragem: um para pó fosfórico, um para partículas de vidro e um para retenção de gases venenosos.

De acordo com o secretário executivo da Idéia Cíclica, Ricardo Viana, é possível triturar mil lâmpadas em 1 hora e 20 minutos. “Com dois equipamentos durante um dia de trabalho e, dependendo de como a lâmpada esteja acondicionada no cliente, conseguimos triturar 8 mil lâmpadas por dia”, afirma ele, destacando que a companhia tem recebido entre 5 e 10 clientes novos que procuram a descontaminação das lâmpadas. Atualmente a Idéia Cíclica tem cerca de 200 clientes, entre empresas e condomínios.

A Ampla já triturou cerca de 400 mil unidades. A companhia paga R$ 0,75 por lâmpada triturada. A estimativa é de que processe cerca de 250 mil lâmpadas neste ano. Em 2009, a companhia triturou 190 mil unidades

Além da sua operação interna, a Ampla também realiza, em alguns casos, a trituração gratuita para alguns clientes e de seus projetos de eficiência energética, de acordo com os recursos disponíveis em caixa. “Nós buscamos fortalecer nossa relação institucional. Então, por exemplo, algum hospital que não tem recurso, mas tem lâmpadas e não sabem o que fazer com o resíduo perigoso, nós trituramos de graça. Assim também já aconteceu com clientes como o Tribunal de Justiça e a Marinha do Brasil. Nos projetos sociais que nós doamos lâmpadas fluorescentes, trituramos também”, explica a responsável pela área de Meio Ambiente da Ampla, Christiane Cazale, lembrando que este não é um serviço para o cliente residencial.

A partir do resíduo restante do descarte da lâmpada, a Ampla tem realizado estudo para o desenvolvimento de um tijolo que poderá ser utilizado em sua operação interna, em processos sociais ou até mesmo ser vendido. “Estamos buscando uma rotulagem, uma certificação ambiental para este tijolo junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A gente assume o nosso compromisso de prevenção da poluição, faz uma ação social para a sociedade e trabalha de forma correta”, diz Christiane.

O projeto de pesquisa e desenvolvimento da companhia já foi encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de acordo com o responsável pela diretoria comercial de Inovação e Eficiência Energética da Ampla, Victor Gomes. “O projeto foi enviado à Aneel no dia 30 de abril, com previsão de retorno da avaliação inicial para o dia 30 de junho”. Serão observados, ainda segundo Gomes, fatores como originalidade, inovação, custos alocados no projeto e aplicabilidade. “Caso o projeto seja bem avaliado, investiremos cerca de R$ 250 mil e a duração prevista para o projeto é de seis meses”, finalizou Gomes.

O Programa de P&D da Aneel incentiva a busca constante por inovações e visa a fazer frente aos desafios tecnológicos do setor elétrico. As distribuidoras de energia devem aplicar anualmente 0,2% de sua receita operacional líquida neste programa.

Fonte: Procel INFO