O primeiro híbrido…

Se os carros elétricos ainda patinam devido a limitações como potência e autonomia, os híbridos vêm mostrando que vieram para ficar. A Brasil Energia foi convidada pela Light a fazer um test drive num Toyota Prius adquirido pela concessionária em 2008 para testes e pôde atestar a eficácia da tecnologia. Só falta mesmo um preço acessível para sua entrada efetiva no Brasil – mas, pelas últimas notícias envolvendo subsídios governamentais para veículos elétricos e similares, isso vai demorar.

O veículo funciona muito bem tanto no trânsito pesado da cidade quanto em pista livre e não requer nenhum carregamento por tomadas nem infraestrutura por parte do consumidor. Basta ter gasolina no tanque de 40 litros e a Power Control Unit – uma espécie de computador central – faz o resto. E o que é melhor: com um consumo de 23 km a 25 km por litro de gasolina e uma autonomia de 1.000 km, a um custo de R$ 110. Sem contar as emissões, 89% menores. Logo ao ligar o carro se sente a primeira diferença. Na verdade, parece que o veículo não ligou. É a mesma sensação de apertar o botão “Power” do computador – aliás, basta apertar o botão “Power” do veículo e é dada a partida. As luzes do painel se acendem, bem como um monitor no painel central do veículo, mas não há ruído indicando que há motor em funcionamento. Solta-se o freio de mão – que é na verdade no pé –, pisa-se no acelerador e o carro se move sem solavancos e sem a necessidade de nenhuma outra intervenção. Simples assim.

Nos primeiros 100 metros na rua, sem muita exigência de aceleração e velocidade, a sensação é que o carro está sendo empurrado – como se faz nos veículos antigos para pegar “no tranco”. Não há ruído algum de motor. O monitor no console central apresenta duas setas amarelas indicando que o motor elétrico de 80 cv está alimentando a tração das rodas. Mais cerca de 30 metros, no para e anda do centro da cidade do Rio de Janeiro, e o motor a combustão nem deu sinal de vida. Silêncio absoluto. Na avenida Presidente Vargas, enfim, o primeiro sinal de combustão.

Depois dos 25 km/h de velocidade e com um pouco mais de peso no pedal do acelerador, esse motor entra em ação, mas praticamente não se percebe o seu funcionamento. Não há nenhum pulo ou solavanco. Nesse momento a direção já lembra a de um esportivo de luxo, mas ainda assim extremamente silencioso. Volta o para e anda do Centro do Rio. O motor parece que morreu. Que nada: basta pisar no acelerador e o carro vai. Parado no engarrafamento, o monitor mostra que não há nenhum consumo em ambos os motores. À medida que o veículo anda, a bateria que armazena a energia do motor elétrico é lentamente deplecionada. Mas, ao pisar no freio, as setas amarelas, que estavam apontando do motor elétrico para as rodas, ficam verdes e mudam de direção, indicando que a frenagem está carregando a bateria que alimenta o motor elétrico. Parado no último sinal de trânsito antes de pegar a avenida Perimetral, que me levará à pista rápida e quase sempre desimpedida do aterro do Flamengo. O sinal abre.

Uma conversão à direita depois, subindo uma rampa, uma pisada mais forte no pedal e o motor a combustão está ligado novamente – setas laranjas indicam que é ele que está alimentando a tração. Na subida propriamente dita, peço um pouco mais do carro e os dois motores começam a atuar juntos para empurrar o Prius à frente. Setas laranjas e amarelas se misturam no painel. A resposta na aceleração e na velocidade é excelente. Mesmo com o carro ocupado por cinco passageiros, o desempenho surpreende. Depois de cerca de 4 km, estou no aterro do Flamengo, onde é possível andar como numa estrada, mas até o limite de 90 km/h.

Ao andar em velocidade constante superior a 60 km/h, apenas o motor a combustão, de 1,5 l, está em ação. Essa ação, além de mover o carro, recarrega a bateria que move o motor elétrico, bem como as eventuais frenagens. Numa exigência maior de velocidade, como numa ultrapassagem, os dois motores voltam a atuar juntos para responder aos comandos do pé direito do motorista. Decido soltar o acelerador e reduzir a velocidade lentamente até chegarmos a 60 km/h. Nesse momento, o motor a combustão é desligado e apenas o motor elétrico alimenta a tração das rodas. Mesmo depois que o motor a combustão é retomado, ainda a 60 km/h, o marcador de consumo no monitor central registra incríveis 99 mpg – o que equivale a 43 km/l.

Hora de parar e fazer fotos do Prius com um dos principais símbolos cariocas – o Pão de Açúcar – ao fundo. Ajeita o carro daqui, anda dali, e o nível da bateria elétrica vai caindo. Fotos feitas, volto à pista do aterro do Flamengo. O motor a combustão carrega lentamente a bateria do motor elétrico e antes de chegar novamente à avenida Presidente Vargas – uma distância de 5 km –, a bateria está quase totalmente carregada, pronta para entrar em operação outra vez no para e anda do trânsito do Centro. Sem dor de cabeça. A não ser, claro, pelo trânsito caótico, comum em uma grande cidade como o Rio de Janeiro.

Fonte: Brasil Energia