O potencial dos ventos

Apesar de efeitos negativos, como alterações na paisagem natural, os impactos são positivos, pois proporcionam geração de emprego, arrecadações e assim, desenvolvimento regional.

A definição dada para energia eólica é a energia cinética encontrada nas massas de ar em movimento, isto é, no vento. Em termos científicos, para utilizá-la, deve-se converter a energia cinética de translação em energia cinética de rotação, fazendo uso de turbinas eólicas (aerogeradores ou também bombeamento d´água, moinhos ou cataventos) que desta forma, será gerada a eletricidade.

A matriz energética eólica já vem sendo utilizada há muitos anos, como nos casos de bombeamento de água, moar grãos e outros. Porém, foi somente após a crise internacional  do petróleo, em 1970, que se viu necessidade de investir no desenvolvimento e uso comercial desta geração de energia.

No Brasil, os primeiros anemógrafos computadorizados e sensores especiais para energia eólica foram instalados no Ceará e em Fernando de Noronha (PE), no início dos anos 1990. O que foi visto e analisado nestes locais permitiram a determinação do potencial eólico local e a instalação das primeiras turbinas eólicas do Brasil.

No início da utilização da energia eólica, surgiram turbinas de vários tipos – eixo horizontal, eixo vertical, com apenas uma pá, com duas e três pás, gerador de indução, gerador síncrono etc. Com o passar do tempo, consolidou- se o projeto de turbinas eólicas com as seguintes características: eixo de rotação horizontal, três pás, alinhamento ativo, gerador de indução e estrutura não flexível (CBEE, 2000).

Em alguns países e regiões, a energia eólica já representa uma parcela considerável da eletricidade produzida. Na Dinamarca, por exemplo, a energia eólica representa 18% de toda a eletricidade gerada e a meta é aumentar essa parcela para 50% até 2030. Na região de Schleswig – Holstein, na Alemanha, cerca de 25% do parque de energia elétrica instalado é de origem eólica. Na região de Navarra, na Espanha, essa parcela é de 23%. Em termos de capacidade instalada, estima-se que, até 2020, a Europa já terá 100.000 MW  de acordo com o  WIND FORCE.

A Alemanha, EUA, Espanha e Dinamarca são responsáveis por quase 80% da capacidade instalada no mundo. No Brasil, a participação da energia eólica na geração de energia elétrica ainda é pequena. Em setembro de 2003 havia apenas 6 centrais eólicas em operação no País, perfazendo uma capacidade instalada de 22.075 kW. Entre essas centrais, destacam-se Taíba e Prainha, no Estado do Ceará, que representam 68% do parque eólico nacional.

Quanto às centrais de grande porte, estas têm potencial para atender uma significativa parcela do Sistema Interligado Nacional (SIN) com importantes ganhos: contribuindo para a redução da emissão, pelas usinas térmicas, de poluentes atmosféricos; diminuindo a necessidade da construção de grandes reservatórios; e reduzindo o risco gerado pela sazonalidade hidrológica, à luz da complementaridade citada anteriormente.

Entre os principais impactos socioambientais negativos das usinas eólicas destacam-se os sonoros e os visuais. Os impactos sonoros são devidos ao ruído dos rotores e variam de acordo com as especificações dos equipamentos. As turbinas de múltiplas pás são menos eficientes e mais barulhentas que os aerogeradores de hélices de alta velocidade. A fim de evitar transtornos à população vizinha, o nível de ruído das turbinas deve atender às normas e padrões estabelecidos pela legislação vigente.

Os impactos visuais são decorrentes do agrupamento de torres e aerogeradores, principalmente no caso de centrais eólicas com um número considerável de turbinas, também conhecidas como fazendas eólicas. Os impactos dependem do local das instalações, como as torres estão disponibilizadas e as especificações das turbinas. Apesar de efeitos negativos, como alterações na paisagem natural, esses impactos são positivos, pois atraem as pessoas que os vêem e ainda, proporcionam a geração de emprego, arrecadações e assim, o desenvolvimento regional.

Fonte: CanalEnergia