Ahmadinejad reafirma que Irã exercerá direito de usar urânio para fins pacíficos

Negando ter ameaçado confrontar parte da comunidade internacional – que o acusa de querer desenvolver armas nucleares -, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, voltou a afirmar que o Irã tem condições de enriquecer o urânio até os 25% e o fará se for preciso. Para o iraniano, seu país tem o direito de aproveitar a energia atômica para fins pacíficos, privilégio que ele reivindicou também para o Brasil.”Apesar de podermos enriquecer o urânio, estamos, como elemento de cooperação, interessados em comprar de outros países . Nossas atividades são inspecionadas pela Agência Internacional de Energia Atômica e, pelo regulamento internacional, podemos resolver nossas necessidades”, declarou o iraniano durante entrevista coletiva no hotel em que está hospedado, em Brasília.

Crítico ferrenho dos Estados Unidos, Ahmadinejad disse não acreditar na possibilidade de uma intervenção militar norte-americana em seu país. “Achamos que a era dos ataques militares já chegou ao seu fim. Hoje é um tempo de diálogo e pensamento. Armas e ameaças pertencem ao passado”.

Questionado se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o encontro de hoje (23), abordou a questão do suposto apoio financeiro iraniano ao grupo radical Movimento de Resistência Islâmico (Hamas), Ahmadinejad foi evasivo, limitando-se a dizer que só recentemente a diplomacia brasileira passou a se interessar pelas questões do Oriente Médio e que, portanto, só com o passar do tempo “as coisas irão se esclarecer”.

“Defendemos os direitos da nação palestina e de todos os povos injustiçados. Nosso apoio é espiritual e nossa proposta é muito clara. Mantemos relações tanto com o governo do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, quanto com o Hamas e estamos interessados que todo o povo palestino seja unido e, através do consenso, resolva sua questão”, declarou Ahmadinejad, afirmando que dezenas de planos de paz e sucessivos governos não conseguiram resolver o problema por não considerar “a raiz do problema”, que, de acordo com ele, remonta ao início da Segunda Guerra Mundial.

“A proposta da nação islâmica é muito clara: que o povo palestino, através de um referendo, decida seu destino e seu futuro. Esse é um direito do povo palestino. Matar as crianças e as mulheres de Gaza não resolverá o problema. Os políticos também não conseguiram. Então, o povo palestino é que deve decidir. E qualquer ajuda de qualquer pessoa que se baseie nesta visão será muito útil e por isso o presidente brasileiro e iraniano resolveram continuar a discutir a questão palestina”.

Próximo ao fim da entrevista coletiva, um manifestante conseguiu furar o cerco da vigilância e ingressar com uma faixa e uma bandeira do movimento LGBT na sala onde os jornalistas estavam reunidos com o presidente iraniano. Segundo o presidente da ONG Estruturação, Julio Cardia, é inaceitável que o Brasil assine acordos com um país cujo código penal permite punir as pessoas por sua orientação sexual, amarrando-as, enforcando-as, apedrejando-as ou até mesmo as jogando do alto de um prédio ou decapitando-as.

“Vim relembrar que não aceitamos qualquer tipo de violação dos direitos humanos e que o governo brasileiro também não pode dar esse passo atrás. A gente precisa ter uma abertura maior e essa abertura vem da não aceitação de políticas que matam lésbicas, gays, mulheres, judeus, ou por quem diz que o Holocausto não existiu e não aceita homossexuais”, disse Cardia após ser retirado da sala por seguranças iranianos.

Fonte:Terra