A opção ainda é suja

Os Estados Unidos apostam no gás de xisto como substituto do petróleo e do carvão na fase de transição rumo às energias limpas

Enquanto o Brasil discute os rumos do petróleo na camada do pré-sal e lida com a alta do etanol, potências como os Estados Unidos correm contra o tempo para reequilibrar suas balanças energéticas sem deixar de lado as metas de redução de gases poluentes. A bola da vez é o gás de xisto, considerado um combustível até duas vezes mais limpo que o carvão mineral. Não por acaso, a revista “Time” dedicou a capa de sua edição da semana passada ao recurso natural, sob o título “Esta rocha poderia energizar o mundo”.

O maior empecilho para o gás de xisto é o seu custo, bem superior ao da concorrência. Ainda assim, o crescimento do interesse por energias limpas, somado à descoberta de novas reservas do combustível nos EUA, pode turbinar a fonte energética. Trocando em miúdos, ela é a mais forte candidata a opção número 1 na transição entre a suja era do petróleo e um futuro verde, assim como o nosso etanol.

Apesar de já ser usado no aquecimento de mais de 60 milhões de casas nos EUA, além de fornecer cerca de 25% de toda a eletricidade consumida no país, o gás de xisto ainda é envolto por uma espessa nuvem de dúvidas, até mais perigosa que a poluição que causa. Diferentemente do etanol brasileiro, que conta com forte subsídio governamental desde sua criação, o pouco conhecido processo de extração do gás obtido a partir da rocha sedimentar folhelho – popularmente conhecida como xisto betuminoso – foi desenvolvido pela iniciativa privada.

O maior empecilho para o gás de xisto é o seu custo, bem superior ao da concorrência. Ainda assim, o crescimento dointeresse por energias limpas, somado à descoberta de novas reservas do combustível nos EUA, pode turbinar a fonte energética. Trocando em miúdos, ela é a mais forte candidata a opção número 1 na transição entre a suja era do petróleo e um futuro verde, assim como o nosso etanol.

Apesar de já ser usado no aquecimento de mais de 60 milhões de casas nos EUA, além de fornecer cerca de 25% de toda a eletricidade consumida no país, o gás de xisto ainda é envolto por uma espessa nuvem de dúvidas, até mais perigosa que a poluição que causa. Diferentemente do etanol brasileiro, que conta com forte subsídio governamental desde sua criação, o pouco conhecido processo de extração do gás obtido a partir da rocha sedimentar folhelho – popularmente conhecida como xisto betuminoso – foi desenvolvido pela iniciativa privada.

Reservas de xisto betuminoso no nordeste dos EUA

No entanto, a situação pode começar a mudar. A paranoia nuclear despertada após o acidente em Fukushima ecoa nos grandes polos de extração do gás de xisto nos EUA, como o Estado da Pensilvânia. Em áreas como Bradford County, moradores reclamam há anos dos efeitos nocivos da exploração, responsabilizando-a pela contaminação de lençóis freáticos, envenenamento de animais e redução da flora. O processo conhecido como fraturação hidráulica, usado para direcionar o gás de volta à superfície (leia quadro), consiste na perigosa injeção no subsolo de água misturada a areia e diversos elementos tóxicos.

A consequência mais impressionante, porém, acabou virando tema de documentário indicado ao Oscar no começo do ano: “Gasland” mostra o impacto da exploração do gás na vida de famílias que vivem ao redor de suas fontes. Na cena mais chocante do filme, uma torneira comum de cozinha cospe fogo devido aos altos índices de concentração de metano na água. A descoberta da gigantesca fonte Marcellus, no populoso nordeste americano, lançou uma nova corrida similar à busca pelo petróleo no Texas no começo do século XX. A adoção do gás de xisto, no entanto, ainda depende de fatores como a evolução da tecnologia de extração e maior transparência nos métodos utilizados pelas grandes companhias energéticas. Com o começo deste século apontando para a necessidade de transição entre combustíveis fósseis e renováveis, o gás sai na frente.

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 Fonte: ISTOÉ