Pernambucano cria emissor de luz capaz de matar bactérias resistentes

Substituir antibióticos por luz no tratamento de infecções causadas por bactérias multirresistentes é uma realidade que está mais próxima dos pernambucanos. Um estudante de engenharia elétrica-eletrotécnica da Universidade de Pernambuco (UPE) desenvolveu este ano, durante estágio no Wellman Center, laboratório de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dois equipamentos capazes de irradiar em tecidos humanos luz em uma frequência que mata em cerca de uma hora micro-organismos imunes ao tratamento comum.

Caio Guimarães, 23 anos, esteve no Wellman Center por meio do programa Ciências Sem Fronteiras e participou de pesquisa patrocinada pelo exército norte-americano para encontrar meios de eliminar a bactéria Acinetobacter baumannii, encontrada em ferimentos de soldados no Iraque e resistente a 21 antibióticos.

Quando Caio se integrou ao grupo, os norte-americanos já haviam descoberto que certas frequências de luz visível eram capazes de atacar o DNA de bactérias, eliminando-as. Testes em ratos mataram micro-organismos em 62 minutos.

Caio desenvolveu uma espécie de lanterna portátil, com lâmpadas de LED calibradas para irradiar uma frequência exata de luz, que é visível e sem efeitos colaterais no ser humano. Também criou uma microagulha biodegradável para guiar a luz da fonte externa para dentro dos tecidos humanos. “Conseguimos otimizar a entrega de luz em 300%, permitindo atingir bactérias em partes mais profundas. Como é biocompatível, a agulha pode ser absorvida pela pele e tem menor risco de alergia”, explicou.

Os dispositivos ganharam o prêmio de público no evento que reuniu os melhores trabalhos do Wellman Center no verão. Em fevereiro de 2015, o trabalho será apresentado no Photonics West, uma conferência de fotomedicina em São Francisco, na Califórnia.

No próximo mês, Caio retomará as pesquisas com os professores do Instituto de Ciências Biológicas da UPE. Os protótipos serão aplicados em colônias de bactérias encontradas em hospitais do Brasil, associadas aos casos de sepse (infecção generalizada).

Fonte: Diário de Pernambucologopet