MOSE: a tecnologia que vai impedir Veneza de afundar

Um dos locais mais curiosos do mundo é Veneza, a cidade italiana onde as ruas são, na verdade, canais aquáticos.

Para ir de um lado ao outro, você precisa de pequenos barcos, no lugar dos carros, e poucas partes da cidade são cobertas com terra firme.

O problema dessa cidade turística é que ela está muito mais desprotegida contra alagamentos do que qualquer outro local, já que é inteiramente coberta por canais, desde os pequenos, que são como as ruas menores até um bem grande que atravessa toda a cidade, como se fosse a avenida principal de Veneza.

Em algumas épocas do ano, as águas vindas do Mar Adriático sobem tanto que as praças e ruas de terra firme e o piso das casas ao longo dos canais ficam submersos — só em 2013 foram 11 casos de enchentes graves. Para tentar controlar esse problema sem interferir na paisagem local, um projeto tecnológico ousado está sendo construído, o MOSE.

A sigla, que significa Modulo Sperimentale Elettromeccanico (Módulo Experimental Eletromecânico, em uma tradução livre), é o nome dado para um conjunto incrível de 78 barreiras que estão sendo testadas para serem instaladas nas três aberturas da Lagoa de Veneza para o Mar Adriático.

O projeto MOSE começou a ser pensado e calculado em 2004 e atualmente, dez anos depois, está finalmente em fase de execução, sendo previsto que estará 100% funcional em 2016. Ele consiste em 78 barreiras móveis que ficam na parte de baixo das três aberturas que ligam o Mar Adriático à Lagoa de Veneza, bloqueando completamente o acesso da água se for preciso.

Uma das maiores brigas entre os organizadores desse projeto e a população era que muitas pessoas achavam que colocar barreiras permanentes nessas aberturas ia acabar alterando a paisagem da região, considerada uma das mais bonitas do mundo. Por isso, a solução demorou bastante a sair e envolve portões que, fora da época de cheia, são invisíveis.

Os portões do MOSE ficam sempre cheios de água — dessa forma, eles permanecem submersos no fundo dos canais e permitem navegação normal sem interferir na paisagem. Porém, quando as águas do Mar Adriático começam a subir, a água de dentro da barreira é mandada para fora usando ar comprimido e ela, mais leve, sobe.

Girando em um eixo submerso, estes portões ficam em posição quase vertical, bloqueando a maré alta de uma maneira simples porém muito eficiente. A navegação em todo esse período é bloqueada, mas esses dias de enchente não costumam durar muito, então a previsão é a de que o acesso seja restrito durante poucas horas por ano.

Uma ilha artificial foi construída na maior das três saídas da Lagoa para o Mar e abriga os controles necessários para fazer o MOSE funcionar. Na parte de baixo dos portões, existem túneis para a manutenção segura e o deslocamento dos funcionários.

Os primeiros testes desse sistema já foram feitos, com o portão instalado no local, e foram um sucesso, funcionando conforme a previsão dos engenheiros. O projeto é bem ambicioso e custa aproximadamente 7 bilhões de dólares, mas pode salvar para sempre a cidade de Veneza do fim catastrófico que a esperava em algumas dezenas de anos se nada fosse feito.

Fonte: Tecmundo