Star Wars pode ajudar a NASA a construir robôs melhores para reparos no espaço

A NASA e a franquia Star Wars não possuem muitas características em comum, a não ser as viagens espaciais. Afinal, a primeira é uma organização governamental bastante preocupada com a complexa realidade da exploração espacial, enquanto que a saga fictícia já está estabelecida em uma galáxia muito distante – e não se preocupa nem um pouco sobre como funciona a física. Todavia, não é porque a obra de George Lucas é pura ficção científica que não existam lições que possam ser aprendidas pelos engenheiros de robótica da agência espacial dos EUA.

Anteriormente envolvido com o desenvolvimento do robô humanoide da NASA conhecido como Valkyrie, o engenheiro W. Kris Verdeyen argumenta que a agência deve se esforçar para criar seus próprios droids inspirados em Star Wars – algo semelhante ao icônico e queridinho R2-D2 ou o simpático e recém-chegado BB-8. Em artigo publicado na revista Science Robotics, Verdeyen diz que esses droids possuem características e funções que poderiam se tornar úteis nos projetos de bots espaciais da organização.

Na verdade, a NASA já vem desenvolvendo seus próprios robôs antropomórficos, que poderiam muito bem auxiliar os astronautas no espaço. O próprio Valkyrie, por exemplo, é um robô projetado para testar tecnologias para futuros robôs. Estes, por sua vez, poderiam substituir os astronautas em missões de risco. Isso sem contar o humanoide Robonaut, que começou a trabalhar na Estação Espacial Internacional em 2011 para ajudar a automatizar tarefas como trocar os filtros de ar.

Como funcionariam esses droids?

“A NASA não tem a mesma necessidade de corrigir [espaçonaves] em campo de batalha como a Aliança Rebelde”, afirma Verdeyen referindo-se ao fato de que os droids de Star Wars quase sempre são vistos consertando as aeronaves espaciais em meio à guerra estelar. Isso porque os robôs vistos na franquia da Disney possuem algumas características peculiares que poderiam ser aproveitadas na vida real.

Em uma das hipóteses levantadas, os droids seriam designados para carregar consigo uma incrível quantidade de ferramentas, o que os tornaria bastante úteis na hora de resolver problemas relacionados à espaçonave – algo bem próximo do que é visto nos longas-metragens. O R2-D2, por exemplo, é capaz de apagar incêndios com um extintor embutido, e também de soldar rapidamente os circuitos quebrados da asa de um caça espacial, enquanto ele ainda está em fogo cruzado com outras aeronaves de combate.

Atualmente, os astromechs (algo como mecas espaciais) desenvolvidos pela NASA são projetados para automatizar tarefas já realizadas por humanos – o que leva a crer que os robôs espaciais provavelmente receberão uma aparência mais humana e não de máquinas pequenas que deslizam pelo chão para lá e para cá. Ainda assim, a ideia de reproduzir algo semelhante ao que os droids de Star Wars fazem é valiosa.

O que dificulta a realização deste feito?

Verdeyen ainda exalta a autonomia dos droids criados para Star Wars, explicando que eles têm um conhecimento enciclopédico da arte em que trabalham e são inteligentes e responsivos o suficiente para resolverem problemas sem a necessidade de um operador humano – muitas vezes, inclusive, independem até mesmo da ordem de uma pessoa, tomando a iniciativa eles mesmos de executar a ação.

Essa é uma das maiores barreiras enfrentadas pela robótica hoje em dia, pois os robôs já existentes ainda precisam de controle manual. E quanto mais remota se tornar essa comunicação entre um ser vivo e uma máquina (o que engloba viagens cada vez mais distantes da Terra em prol da exploração espacial), mais atrasos nas respostas poderão acontecer com o comando em solo. Isto significa que a demanda por astromechs cada vez mais inteligentes e que trabalhem de forma mais independente só tende a crescer.

Ou seja, ainda há um longo caminho até que um R2-D2 ou um BB-8 se tornem reais, por assim dizer, dentro do possível. A NASA está, obviamente, sempre trabalhando para aprimorar suas criações e, inclusive, vem trabalhando na exploração de uma ideia que usaria uma espécie de “inteligência embutida”, visando combinar um robô com as habilidades mecânicas de um Robonaut, por exemplo, com alguns bancos de dados de inteligência artificial, além de fornecer ferramentas para a resolução de problemas.

Fonte: Canal Tech

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