A canoa solar que ajuda comunidades a navegar sem gasolina na Amazônia

Desde abril de 2017, uma canoa alimentada por energia solar percorre 67 km pelos rios Capahuari e Pastaza, em um canto remoto da Amazônia equatoriana.

A rota liga cerca de mil pessoas divididas em nove assentamentos isolados que vivem às margens do rio.

“Meus pais, meus avós sonharam com isso. O sonho é uma mensagem. Os achuar conhecem pelos sonhos. O sonho não é mentira, é a verdade”, diz Hilario Saant, um ancião de Kapawi.

A canoa se chama Tapiatpia, em homenagem a um lendário peixe-elétrico da área, e é o primeiro sistema fluvial comunitário solar da Amazônia.

O projeto ainda está em sua etapa inicial. Mas, se for bem-sucedido, tem o potencial de ser implementado em outros rios da bacia amazônica, um ecossistema ameaçado pelo desmatamento e a exploração petroleira e de cujo futuro o clima do planeta depende.

“A canoa solar é uma solução ideal para esse lugar porque aqui não há rede de rios navegáveis, interconectados e há uma grande necessidade de transporte alternativo”, explica à BBC Mundo Oliver Utne, o americano que deu vida ao projeto Kara Solar (Kara significa sonho em achuar), depois de conviver com a comunidade durante anos.

“Como a gasolina só pode chegar aqui por avião, custa cinco vezes mais que no resto do país”, explica. É um luxo que não se podem dar.

“Por outro lado, a ameaça de chegada de estradas a esse território, um dos lugares com maior biodiversidade do mundo, está muito presente.”

Fonte: Sol Central e Metro Jornal

 

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