Mercado móvel vai até você com a ajuda da inteligência artificial

Se os carros autônomos parecem uma tecnologia do futuro para você, espere para ver esta loja de conveniência 24 horas em Xangai, na China. Sem qualquer funcionário ou caixa para pagamentos, a mercearia é projetada para ir até onde o cliente está com um simples comando em um aplicativo.

Ainda em fase de testes, o protótipo – chamado de Moby Mart – é do tamanho de um pequeno ônibus e traz uma seleção de produtos básicos, como lanches, refeições prontas, frutas e até sapatos. O veículo foi feito em parceria entre a startup sueca Wheelys, que já criou uma cafeteria que cabe em uma bicicleta, e a Universidade Hefei, localizada na China.

Para usar a loja, o consumidor precisa baixar um aplicativo e usar o smartphone para abrir a porta – ao entrar na loja, ele é cumprimentado por um holograma de inteligência artificial. Na hora das compras, basta aproximar o aparelho para digitalizar os produtos desejados ou usar uma cesta inteligente que rastreia os itens. Caso a loja não tenha o que a pessoa quer, é possível fazer uma encomenda. Assim, da próxima vez que ela for à mercearia, os pacotes terão sido repostos.

O pagamento das compras funciona de uma maneira bem similar ao do Uber. O usuário precisa apenas sair da loja que tudo é cobrado no cartão de crédito automaticamente. A Amazon está testando um sistema parecido em uma loja de conveniência em Seattle, nos Estados Unidos. Como a tecnologia desenvolvida pela Wheelys, a da Amazon usa NFC e um meio de pagamento móvel, estilo Apple Pay, Android Pay ou Samsung Pay.

Por ora, o Moby Mart está parado em um estacionamento. No entanto, a startup pretende tornar a loja de conveniência totalmente autônoma quando veículos desse tipo forem permitidos de rodar nas cidades. O objetivo da Wheelys é que a loja siga uma rota definida que a levará a diferentes lugares durante o dia.

A escolha por desenvolver um veículo autônomo está ligada a outra meta da startup: o reabastecimento automático. Por exemplo, o Moby poderia ir sozinho a um armazém fixo para se reabastecer enquanto outra loja ficaria em seu lugar. Além disso, a Wheelys espera que as mercearias supram os estoques umas das outras, evitando viagens longas e, consequentemente, diminuindo os gastos.

No futuro, o sistema também terá um conjunto de drones para a realização de pequenas entregas. A Amazon possui um projeto com um serviço parecido, o Prime Air, que promete enviar pacotes para os clientes em até 30 minutos ou menos usando drones.

Na China, onde o Moby Mart está sendo testado, a Wheelys pretende manter os testes relacionados ao aplicativo e à tecnologia sem funcionários, bem como os pedidos online. Outra meta da startup é avaliar a capacidade da loja de se reabastecer sozinha, já que no momento ela está sendo conduzida a um armazém próximo.

Controladas pela comunidade

Por trás de toda a tecnologia empregada no Moby Mart, há uma ideia simples e que pode ajudar a população local. Em entrevista ao site Fast Company, Tomas Mazetti, um dos fundadores da Wheelys, disse que a startup acredita que o veículo será o mercado do futuro. Isso porque é móvel e muito mais barato de construir e operar do que uma loja tradicional.

Segundo Mazetti, um sistema de baixo custo como esse permite que os próprios moradores de uma comunidade comandem um mercado local. “Os maiores custos de uma loja são o aluguel em uma cidade central e a equipe. Estamos removendo esses dois ao mesmo tempo”, disse o fundador.

A Wheelys quer fabricar e vender as conveniências em grande escala a partir de 2018. Mazetti espera ajudar os franqueados a competir no mesmo nível com outros estabelecimentos tradicionais. “Eu quero que as lojas sejam compradas por famílias ou grupos de pessoas”, explicou. “Em vez de trabalhar em um armazém para a Amazon, você poderia ter sua própria mercearia.”

O vídeo abaixo (em inglês) mostra como o Moby Mart funciona:

 

Fonte: Exame