Holanda inaugura primeira ponte de concreto impressa em 3D do mundo

A Holanda inaugurou na semana passada a primeira ponte de concreto do mundo a ser impressa em 3D, na cidade de Gemert. Ela foi impressa pela Universidade de Tecnologia de Eindhoven, segundo a qual a ponte funcionará como parte de uma ciclovia que liga duas das principais estradas do país.

De acordo com o anúncio feito pela universidade, a ponte mede oito metros de comprimento por três metros e meio de largura. Como a Holanda tem mais bicicletas do que pessoas, a expectativa é que ela seja atravessada por centenas de pessoas todos os dias. Para garantir que a ponte resistiria a essa demanda, os pesquisadores testaram-na com um peso de cinco toneladas – bem mais do que ela carregará durante o uso normal, segundo o Engadget. Mesmo assim, a ponte aguentou, e espera-se que ela seja capaz de se manter em operação por trinta anos ou mais.

Em qualquer formato

Para imprimir a ponte, a universidade desenvolveu um método que consegue incorporar cabos de aço reforçado à estrutura de concreto enquanto ela está sendo impressa. Os cabos de aço são importantes porque permitem que a ponte suporte a tensão de tração – o concreto, por si só, não tem grande resistência a esse tipo de tração.

Uma das vantagens de imprimir pontes – ou quaisquer estruturas – em 3D é que esse método não exige a construção de um molde. Normalmente, para criar algo de concreto, é necessário antes criar uma forma para se preencher com o concreto, porque ele fica naquele formato quando se solidifica.

No caso da impressão em 3D, no entanto, não é necessário criar o molde: a estrutura vai sendo impressa já no formato desejado. Isso permite a criação de estruturas de diversos formatos diferentes. E como os cabos de aço reforçado já vão sendo incorporados ao longo do processo, ele é totalmente automatizado.

Mais rápido e econômico

Como não é necessário criar a forma antes de criar a estrutura, o processo de imprimir estruturas de concreto em 3D também acaba sendo mais rápido. Segundo o Guardian, para a criação da ponte de Gemert, foram sobrepostas 800 camadas de concreto; mesmo assim, os pesquisadores estimam que o processo seja “três vezes mais rápido do que técnicas de concreto convencionais”.

E como o concreto só é depositado no formato da estrutura, o desperdício de material acaba sendo bem menor do que com técnicas tradicionais também. Isso tem outra vantagem: o concreto é feito com cimento, que é um material cuja produção gera muitos gases estufa por conta da temperatura elevada na qual ela acontece. Por esse motivo, esse método de construção também acaba sendo melhor para o meio ambiente.

Estruturas maiores

Segundo a Universidade de Eindhoven, o conhecimento adquirido durante o processo de criação dessa ponte permitirá que estruturas ainda maiores sejam impressas no futuro. A ideia é criar projetos de concreto compostos por diversas partes, já que o tamanho de cada parte acaba sendo limitado pelo tamanho da própria impressora. Um dos próximos projetos da universidade é imprimir cinco casas.

Fora a universidade, porém, há também empresas interessadas na impressão 3D de estruturas. Segundo o Guardian, uma delas é a MX3D, que está desenvolvendo um projeto para imprimir dessa forma uma ponte de aço inoxidável. Um terço da ponte já está pronto; a expectativa é que ela seja concluída até março de 2018, e colocada sobre o canal de Amsterdã em junho.

Curtiu a notícia ? Deixe um comentário !

Fonte: Olhar Digital

logo_pet2