Entrevista: Ferrovias focam em eficiência enérgica durante período de crise

Maria Teixeira, graduanda no curso de Engenharia Elétrica com ênfase em energia da UFJF, é ex-bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET Elétrica), participou do programa do governo federal, Ciência sem Fronteira, no Canadá entre os anos de 2013 e 2014. Durante seu intercâmbio estagiou no laboratório da GE dentro da Western University, realizando teste de relés, dispositivos de proteção da rede elétrica, contra queda de fase e raios, por exemplo. Atualmente é estagiária na MRS Logística, uma operadora ferroviária de carga que administra uma malha de 1.643 km nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nesta entrevista iremos abordar principalmente o seu estágio na MRS Logística, uma vez que é estagiária da Coordenação de Eficiência Energética da empresa.

  • O que é seu projeto/pesquisa?

O projeto visa aumentar a eficiência energética da malha ferroviária administrada pela MRS, tentando assim aumentar a produtividade e diminuir o consumo de diesel nas locomotivas. Este projeto já começou a cerca de 3 anos, e para condução deste é usado um indicador, comumente utilizado em outras ferrovias, por exemplo na Vale e na Rumo-ALL. Este indicador define eficiência energética como sendo: o consumo da locomotiva em litros, dividido por 1000 vezes a TKB. A TKB é um grandeza utilizada para medir a produtividade do trem, nada mais é do que as toneladas brutas que aquele trem transportou vezes quanto kilometros aquele trem percorreu. Através deste cálculo é possível ter uma relação direta entre consumo e produtividade, sendo vantajoso quando este indicativo diminui, mostrando que foi gasto menos combustível para transportar uma quantidade maior de carga por um percurso também maior.

Portanto, o objetivo final de toda a equipe de Eficiência Energética é reduzir este indicador, através de diversos focos de trabalho, por exemplo, realizar uma otimização do fluxo de trens na ferrovia, fazer paradas planejadas durante o percurso, otimizar a condução das locomotivas, analisar os momentos de carga e descarga. Através da redução deste indicador ocorre consequentemente uma redução no gasto com diesel, principal combustível das locomotivas da MRS.

 

  • O quão importante para sua empresa é o desenvolvimento de eficiência energética nos trens?

Atualmente, a maioria dos trens da MRS são tracionados por locomotivas diesel-eletricas e a despesa com combustível configurou o segundo maior gasto da empresa como um todo durante o ano de 2015, perdendo apenas para o gasto com funcionários.
Através dos estudos em eficiência energética a MRS deixou de gastar 25 milhões de reais* só em 2015“, segundo Maria, este fato mostra o quão importante é este projeto para a empresa. Não só numa ferrovia, mas  a maioria das empresas atualmente pensa, ou ao menos tenta pensar, de uma maneira ecologicamente correta e sustentável, e no caso específico da MRS a redução do consumo de diesel, um combustível fóssil poluente, reflete a preocupação social da empresa neste aspecto.

Logo o beneficio total do projeto não pode ser  exatamente mensurado por conta do aspecto ambiental, mas como dito anteriormente 25 milhões que deixam de ser gastos, no caixa de uma empresa fazem muita diferença.

A atual situação da economia mundial favorece projetos de eficiência energética, de eficiência como um todo, favorecendo uma redução no uso de alguns recurso, viabilizando uma redução de gastos para as empresas, o que é muito bem vindo na atual conjuntura da economia mundial.

 

  • Qual seu papel dentro deste projeto/empresa?

Durante este ano Maria focará em melhorias de eficiência energética através de pequenos e pontuais projetos que englobam o transporte de minério, ou também  chamado de heavy haul. Os atuais são: o aumento da velocidade máxima permitida em trechos de subida para que o trem ganhe mais velocidade durante e descida, utilizando a sua própria inércia, reduzindo assim o gasto com combustível. Outro projeto é analisar os trechos de manutenção na via, causado por exemplo por obras, para aumentar a velocidade restritiva permitida nesses trechos. Um terceiro projeto é a limpeza dos vagões, para retirar o resíduo de minério que fica após a descarga, este é tido como um peso morto na volta do trem até o local da carga, o que gera um custo de combustível e não é produtivo.

Mas é válido ressaltar que estes são alguns dos pequenos focos de trabalho que estão em andamento. Muitos outras pesquisas e ações dentro da Coordenação de Eficiência Energética acontecem de forma concomitante para gerar um resultado global satisfatório.

 

  • De que forma seu trabalho agrega na sua vida de estudante em Engenharia Elétrica?

Segundo Maria, a formação acadêmica que ela tem na Universidade é muito técnica, através do seu trabalho ela tem a possibilidade de mensurar a importância de tudo aquilo que foi estudado de forma teórica até agora, ver a aplicabilidade de Engenharia Elétrica. O seu trabalho com eficiência energética lhe mostrou o quão importante esse estudo é, a falta deste pode configurar ralos de dinheiro nas empresas, ampliando muito sua visão de futura engenheira eletricista, que hoje sabe o quanto pode contribuir por exemplo para a economia de gastos exorbitantes numa empresa.

 

  • O que te motiva a pesquisar/estudar sobre esse assunto?

Durante o seu estágio Maria Teixeira viu qual é a aplicabilidade da Engenharia Elétrica, e especialmente Eficiência energética. “Essa eficiência enérgica é uma ralo de dinheiro, uma quantia gasta sem necessidade. E em momentos de crise os gastos começam a enxugar” diz ela. Perceber o quão útil esta linha de pesquisa é a fascina, e motiva a estudar sobre. Além disso ela destaca que acha incrível engenharia de transportes, e poder trabalhar numa empresa que gerencia tantos kilometros de linha ferroviária, só fez com que ela gostasse ainda mais dessa área.

*Dado contabilizado pela Coordenação de Eficiência Energética da MRS.

 

Fonte: PET Elétrica UFJFlogo-pet-2