Entrevista: Manuel Arturo Rendón Maldonado, Faculdade de Engenharia Elétrica da UFJF

Manuel Arturo Rendón Maldonado é professor do Curso de Eng. Elétrica – Robótica e Automação Industrial e líder do Grupo de Conversão Eletromecânica de Energia – GCEME na UFJF. Atualmente coordena o projeto: Banco de Ensaios de Propulsão Aeronáutica Híbrido-Elétrica financiado pela EMBRAER. Formou-se em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletrônica e Automação Industrial na Escuela Superior Politécnica del Litoral – ESPOL (Equador, 1999). Obteve o Mestrado em Engenharia Elétrica pela UNIFEI (2005), na área de Automação e Sistemas Elétricos Industriais. Finalizou o Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNIFEI em 2010, na área de Controle e Identificação de Modelos Não-Lineares de Turbinas a Gás. Realizou um Pós-Doc no Grupo de Robôtica Inteligente – GRIn da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Desde 2011 é Professor no Departamento de Energia Elétrica da UFJF. Possui experiência nas áreas: Automação e Controle de Processos, Instrumentação, Modelagem e Identificação de Sistemas Dinâmicos, Programação de Algoritmos de Controle. Atua nos seguintes temas: Identificação de Sistemas, Modelagem e Controle de Veículos Autônomos, Desenvolvimento de Sistemas de Controle para Unidades Geradoras de Energia, Geração Distribuída e Micro-turbina a Gás.

    1. O senhor se formou no Equador, o que te motivou a vir trabalhar no Brasil e, principalmente, como professor?

“Formei no Equador. Fiz o mestrado e doutorado na UNIFEI de Itajubá, sul de Minas Gerais. Ao longo dos meus estudos fui conhecendo a pesquisa como ferramenta aliada ao ensino para alavancar o desenvolvimento da sociedade, e ao mesmo tempo foi nascendo o gosto pela cátedra. Além de que o meu pai é professor universitário também, lá em Guayaquil Equador.”

    2. Quais diferenças são perceptíveis entre os dois países no meio da graduação e do trabalho de um engenheiro eletricista?

“Na graduação a postura dos alunos é diferente no Equador. Os alunos chamam o professor somente pelo título (Engenheiro, Mestre, Doutor), seguido do sobrenome, jamais pelo nome, o que pode ser tomado como falta de respeito. Também a vestimenta do aluno em sala de aula é mais formal, não é permitido ir de chinelo ou regata por exemplo. O trato professor-aluno e vice-versa é mais formal também. No meio de trabalho percebo que as diferenças são menores entre ambos países.”

    3. No período de 2000-2001 o senhor trabalhou em uma Planta de Tratamento de petróleo na Amazônia equatoriana, em que consistia este tratamento? Na sua opinião, a extração de petróleo nestas regiões é viável financeira e ecologicamente?

“Trabalhei numa empresa que desenvolveu um sistema de controle para uma parte de uma estação de tratamento de petróleo na Amazônia do Equador. A estação armazenava o petróleo cru que sofria alguns processos de remoção de água e sólidos. Tais processos deviam seguir as normas ambientais cobradas pelos organismos públicos do meu país.”

    4. Esta experiência profissional está entre as suas primeiras após o término da graduação, como ela contribuiu para o senhor?

“Além desse projeto fizemos vários outros, para usinas de processamento de cana de açúcar, usinas de álcool, de papel, de sabão, de armazenamento de combustíveis e centrais termelétricas. Como a empresa era pequena a gente era obrigado a fazer de todo: especificação de instrumentos e dispositivos eletrônicos, configuração, montagem, projeto de painéis elétricos de força e de controle, programação de algoritmos de controle, programação de software supervisório, comunicação de dados a nível industrial, implementação, comissionamento e manutenção. A experiência foi certamente enriquecedora.”

    5. Atualmente atua em um projeto sobre veículos autônomos, qual a importância, para você, deles no futuro?

Os trabalhos que temos realizado na UFJF na área de veículos autônomos aéreos (unmanned aerial vehicles UAV) são na área de modelagem, simulação, desenvolvimento de interfaces gráficas e técnicas de controle linear e não-linear. É somente uma pequena área de todo o que pode ser feito em pesquisa com UAV’s. Esse tipo de dispositivos sem dúvida vai ampliar cada vez mais seu raio de ação em diversas áreas da sociedade.”

    6. Trabalha também na criação de uma bancada de ensaios para Propulsão Aeronáutica Híbrido-Elétrica, explique um pouco sobre o projeto, por favor. Acredita que este tópico pode ser de grande contribuição para os alunos de Engenharia Elétrica da UFJF?

“Nos últimos anos organismos de controle de tráfego aéreo no mundo inteiro estão exigindo das linhas aéreas diminuir as emissões de gases efeito estufa, e as emissões ruído mecânico. Ambos requerimentos podem ser atingidos utilizando propulsão elétrica parcialmente em sistemas híbridos. Motores elétricos são mais silenciosos e não geram gases contaminantes, porém o grande peso e volume das baterias comparada com os combustíveis faz inviável no momento sistemas de propulsão puramente elétricos. Sistemas híbridos combinam motores de combustão tradicionais alimentados por combustível de aviação, com motores elétricos alimentados por baterias. Existem muitas pesquisas na área nos Estados Unidos (principalmente parcerias com a BOEING e a NASA) e na Europa (financiadas pela AIRBUS). Essa área não tinha sido estudada ainda no Brasil, e graças ao projeto vamos construir o primeiro banco de ensaios de Propulsão Híbrido-Elétrica no Brasil, alojado em um laboratório que será construído na Faculdade de Engenharia. O projeto é financiado pela FAPEMIG e a EMBRAER, e atualmente estamos trabalhando nove docentes e 19 alunos de vários cursos da graduação e da pós da Engenharia.”

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