Entrevista: Professor Leandro Manso, faculdade de Engenharia Elétrica da UFJF

Introdução:

Leandro Manso possui graduação, mestrado e doutorado em Engenharia elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora, concluídos em 2009, 2012 e 2016, respectivamente. Atualmente é Professor Assistente na Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Juiz de Fora. Tem como principal foco de atuação desenvolvimento e implementação de algoritmos de Processamento Digital de Sinais, em tempo real, em plataformas dedicadas como DSP e FPGA, para aplicação em Sistemas de Potência. Possui também trabalhos nas áreas de Inteligência Computacional, modelagem de cargas e estimação de contribuição harmônica, estimação de harmônicos variantes no tempo, estimação de fasores para aplicação em sistemas de proteção e compactação de sinais.

Pergunta 1 – Qual sua principal linha de projeto/pesquisa?

Minha linha de pesquisa é processamento de sinais, aplicado pra sistema de potência. Na parte de pesquisa eu trabalho com desenvolvimento de algoritmos pra processamentos de sinais para resolver problemas de sistemas de potência. O foco maior é na área de qualidade de energia, mas também já desenvolvi alguns trabalhos na área de proteção, e meu doutorado é todo na parte de compressão de sinais, a partir de uma demanda que tínhamos, de um equipamento capaz de adquirir e processar sinais da rede elétrica por um longo período de tempo. Então a tarefa era adquirir os sinais, rodava alguns algoritmos pra comprimir esses sinais, pra depois salvar em pouco espaço de memória. Nessa linha eu também trabalho com sistemas embarcados, que são micro controladores, microprocessadores, FPGA, com o intuito de colocar em uma plataforma esses algoritmos de sinais, pra isso virar um protótipo ou um equipamento em si.

Pergunta 2 – O que te motiva a continuar pesquisando sobre essa área?

Bom no curso de engenharia seria interessante contribuirmos com desenvolvimento de tecnologia em si, e não só pesquisas e artigos acadêmicos. Eu acho interessante, sempre gostei de trabalhar com eletrônica, nessa área de sistemas embarcados, sendo a oportunidade de aliar as duas coisas, minha parte que eu estudo, mais teórica, e a parte prática quem eu acho bem legal, e que também nos aproxima mais das empresas, conseguindo mais facilidade nessa área

Pergunta 3 – Mudando um pouco, gostaria de perguntar a sua visão sobre o envolvimento dos alunos de engenharia em projetos de pesquisa e extensão?

Com toda certeza é muito importante, acho que o ideal seria que todos os alunos conseguissem se envolver. O aprendizado em um projeto de pesquisa é bem significativo, e de certa forma você acaba aprendendo ou aprofundando alguma coisa que se vê bem pouco na graduação, ou as vezes até um tópico que você não teria tempo de ver. Apesar da grade ser puxada, ainda falta muita coisa nela, e infelizmente ela nunca será completa, sempre vai faltar algum tipo de aprendizado, e esses projetos ajudam nessa formação complementar do aluno.

Além disso ele também acaba desenvolvendo outras habilidades, como trabalho em equipe ou talvez ser introduzido ao ambiente acadêmico de pesquisa, e isso tudo é importante até pra ele saber se ele vai querer seguir isso depois de formado.

Pergunta 4 – Continuando nessa área, queria um pouco da sua visão sobre o ensino da engenharia aqui no Brasil, que é muitas vezes focado pra estudos e com dependências de notas e etc?

Bom isso é um pouco complicado que é uma questão até histórica, mas não o ideal. O ideal seria realmente uma mescla, mas comparando, por exemplo aqui na UFJF na época que eu estudei pra agora, já melhorou muito, pelo menos nas ênfases que eu mais leciono que são Eletrônica e Robótica o pessoal tem bastante aula de laboratório. Inclusive as matérias que eu ministro e também outros professores fazem, nós trabalhamos com obviamente uma parte teórica porque não tem como fugir, mas trabalhamos com projetos, então tem sempre um trabalho final da disciplina que é um projeto que os alunos tem que juntar tudo que eles aprenderam na parte teórica e colocar pra funcionar isso tudo na prática, e os alunos gostam bastante dessa didática e eu particularmente acho que acrescenta muito, eles aprendem inclusive muito mais nessa parte do que talvez na parte teórica, mas por outro lado também não são todas as disciplinas que se consegue trabalhar dessa forma, então as vezes não conseguimos fugir da parte teórica aprofundada. Então ao meu ver o ideal seria realmente fazer essa mescla, mas um problema que enfrentamos aqui na UFJF por exemplo é a estrutura física, as turmas hoje em dia são muito grandes então é complicado estrutura de laboratório pra todo mundo, então acho que em algum momento teremos que procurar uma solução pra resolver esse tipo de problema.

Pergunta 5 – Bom pra finalizar, depois de 5 períodos lecionando aqui na UFJF, quais foram as suas principais dificuldades nesse início de carreira como professor universitário?

Eu ainda estou no começo, então sinto sim algumas dificuldades, e é bem complicado porque eu tive uma formação acadêmica, eu formei, fiz mestrado depois doutorado entretanto não tive nenhuma formação didática, apesar de eu sempre ter gostado de dar aula, como exemplo no começo da faculdade eu dava muito aula particular e tudo mais, na época de mestrado eu fiz estágio de docência então eu fui tutor de alguma disciplinas durante o doutorado também, então estava acostumado a dar algumas aulas de exercício, nessas disciplinas q eu fui tutor mas eu nunca tive que preparar um curso inteiro, elaborar avaliações, provas, esse tipo de coisa eu ainda não tinha feito. Então a maior dificuldade é realmente isso, você preparar uma aula é uma coisa, mas ter que preparar um curso inteiro pra uma disciplina, ter que escolher quais conteúdos você vai ter que cobrir é um pouco complicado. O que eu mais sinto dificuldade assim é no quesito avaliação, eu nunca tive nenhuma formação pra saber como fazer esse tipo de coisa, tanto no sentido de preparar as provas e os trabalhos quando no parte de correção mesmo, é muito difícil se adaptar de cara há um critério que você ache bom, então as vezes eu acabo pesando demais ou de menos, então é preciso saber encontrar um equilíbrio nesse sentido, então acho que essas são as maiores dificuldades, pelo menos ao meu ver. As matérias que eu leciono também tem muita parte prática, mas é uma coisa que eu sempre gostei, então eu tenho mais facilidade nessa parte, realmente acho que parte de avaliação é o que eu encontro mais dificuldade.

Fonte: PET Elétrica

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