Tolmasquim mostra ceticismo sobre participação de térmicas no A-5

Presidente da EPE ainda falou do pouco tempo para licitar Tapajós

Crédito: Coppe-UFRJ

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, manifestou ceticismo em relação à viabilidade das usinas térmicas que participarão do próximo leilão de energia para 2019 (A-5), programado para o dia 28 de novembro próximo. As termelétricas inscritas, segundo Tolmasquim, pretendem importar gás, usar o gás da Amazônia ou alugar capacidade ociosa de gás natural liquefeito (GNL) da Petrobras.

Em palestra realizada nesta segunda-feira (15/9) na Rio Oil & Gas Expo and Conference, no Riocentro, Tolmasquim esclareceu à imprensa que a sua expectativa não é de insucesso do leilão. “Eu espero que tenha sucesso. Por isso é que é importante o leilão. A gente testa o preço e a condição de mercado. Se não der [certo], a gente vai tentar achar alguma medida para tornar mais viável”.

O presidente indicou que é sempre importante, em um sistema hidrotérmico como o brasileiro, em que há cada vez mais fontes de energia variáveis, como a hidrelétrica a fio d’água, a eólica, a solar, que não têm como estocar energia, haver uma complementação térmica “É uma maneira de complementar quando não está ventando, quando não está chovendo ou quando não está com sol, você ter como gerar”.

Tolmasquim reiterou, porém, a necessidade de se esperar o leilão para ver se térmicas a gás irão participar. “Não estou querendo criar uma expectativa. Acho que vai ter algumas térmicas a gás. Na Amazônia, é bem competitivo o gás”. Segundo o presidente da EPE, é preciso ir testando as térmicas a cada leilão e ver qual é a condição que dá viabilidade. “Pode, sim, ter térmicas a gás sendo contratadas”, apontou.

Ele explicou que a mudança de data do leilão para 28 de novembro teve motivo hidrelétrico. “Apareceu a oportunidade de conseguir a licença de mais algumas [usinas] hídricas. E, aí, a gente sempre acha que valia a pena, porque antes, no leilão, ia ter zero de hídrica”. Além da Usina de Itaocara (RJ), participarão do leilão duas hidrelétricas localizadas no Rio Piquiri, no Paraná. São centrais de médio porte, mas “contribuem [com a geração de energia elétrica]”, avaliou.

Tapajós
Em relação ao leilão da hidrelétrica de Tapajós (PA), previsto para o dia 15 de dezembro, Maurício Tolmasquim reconheceu que é um cronograma apertado, “mas possível”. Ele informou que o cronograma foi conversado com todas as instituições envolvidas, que concordaram que haveria tempo para serem feitas as análises. “Tem que ficar claro que ninguém vai fazer nenhum leilão sem serem cumpridas todas as etapas legais, sem ter estudo da área indígena, consulta, audiência pública. Tudo terá que ser cumprido. Se não for, a gente não vai fazer o leilão. A data foi marcada porque, pelos cronogramas e prazos padrões, daria tempo para se ter a licença”.

Tolmasquim ressaltou que a decisão de não esperar a licença se deve à necessidade de cumprir os prazos de lançar edital e enviar o projeto para o Tribunal de Contas da União (TCU). “Se a gente fosse esperar sair todas as licenças para fazer o leilão, só ia sair lá para o final do primeiro trimestre do ano que vem. Você tem que fazer as coisas em paralelo. Marca o leilão e, em paralelo, manda o material para o TCU, faz a audiência pública, faz consulta pública, faz estudo. Se der problema de algumas licenças não saírem, aí se adia o leilão. Nosso trabalho é para não adiar, é para fazer”

Fonte: Jornal da Energialogopet