Sem chuvas, país está sujeito a novos apagões, dizem especialistas

Sistema está atuando no limite da infraestrutura, com a geração de energia no gargalo e o consumo elevado

 

Sem as chuvas necessárias para um período úmido, o país vive um momento delicado no que diz respeito ao setor elétrico, que pode culminar em novos cortes de carga como o que ocorreu na última segunda-feira, 19 de janeiro. Especialistas do setor dizem que o sistema está estressado, atuando no limite da infraestrutura, com a geração de energia no gargalo e o consumo elevado, com recordes consecutivos, por conta das altas temperaturas. E com os reservatórios baixos, explica Walfrido Ávila, da Trade Energy, as hidrelétricas perdem a sua capacidade de aumentar rapidamente a geração.

“Se não chover, se não aumentar a vazão e as usinas hidráulicas não tiverem como ajudar o sistema, isso vai acontecer mais vezes, é normal acontecer. Ficar sem água é que é anormal”, apontou Ávila. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, na última segunda-feira, restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram redução na frequência elétrica. Com isso, ocorreu a perda de unidades geradoras de diversas hidrelétricas, totalizando 2.200 MW.

“Ainda bem que a proteção das usinas atuou. Se não tivesse proteção, queimaria o gerador e a usina não poderia voltar a operar”, comentou o executivo. Para Fábio Cuberos, gerente de Regulação da Safira Energia, o que está por traz dessas ocorrências no sistema é o planejamento e a execução das obras do setor. “O relatório de fiscalização da Aneel mostra que 35% das obras de geração previstas até 2020 estão atrasadas, então isso acaba comprometendo a segurança do sistema. Além disso, o planejamento precisa ser integrado. Algumas usinas ficaram prontas sem linhas de transmissão. Esse é um ponto crucial para resolver o problema”, destaca Cuberos.

Ele avalia que o atraso nas obras de transmissão compromete o escoamento da energia entre as regiões, porque em momentos com consumo elevado é crucial poder transferir energia de uma região para outra. Além disso, é preciso, na opinião do executivo, realizar programas de racionalização, de eficiência energética, que o governo reluta em adotar. “São três pontos cruciais: a fiscalização das obras, o planejamento integrado da geração e transmissão e o consumidor poder ajudar na redução do consumo”, analisa Cuberos.

Ávila, da Trade Energy, diz que não há uma solução de curto prazo para a crise existente, a não ser que chova. “Não construímos os reservatórios que deveríamos ter construído ou as térmicas necessárias para substituírem esses reservatórios. Então, nos próximos meses, se não chover, estamos sujeitos a esse tipo de ocorrência”, completou. O executivo alerta que a segurança do sistema está ameaçada e que o nível de risco, que é normalmente de 5%, está acima do programado. “O sistema está todo calibrado assim. O GSF, que está dando problema para os geradores, foi calculado assim também. Não é para ter esse problema de risco. A operação do sistema está acima do nível de risco programado. Assim, dá problema de apagãozinho aqui, ali, dá problema financeiro, porque está tudo desajustado”, aponta Ávila.

Fonte: Canal da EnergiaLogo Pet 2