Entenda por que a falta de chuva aumenta o custo da energia no Brasil

A Aneel aprovou nesta terça (18) uma nova ajuda para as distribuidoras cobrirem parte do aumento de custos com a compra de energia.

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A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou nesta terça-feira (18) uma nova ajuda para as distribuidoras cobrirem parte do aumento de custos com a compra de energia. Os recursos vão sair de um fundo do próprio setor elétrico e devem chegar a quase a quase R$ 3 bilhões até o fim do ano. Na semana passada, o governo tinha anunciado um socorro de R$ 12 bilhões para as distribuidoras. Esse aumento de custos é resultado da falta de chuvas.

As distribuidoras são as responsáveis pelo transporte da energia até as casa dos brasileiros. Mesmo não sendo as produtoras da energia, as distribuidoras são obrigadas, pelo contrato que têm com o governo, a suprir toda a necessidade dos consumidores. Se o consumo dos clientes aumenta, as distribuidoras são obrigadas a buscar mais energia no mercado. Elas compram essa energia antecipadamente das usinas geradoras.

No Brasil, como quase 80% da nossa energia vêm das hidrelétricas que dependem das chuvas, se chove pouco, a energia encarece. É como o preço de qualquer produto que dependa do clima, como o tomate e o feijão, por exemplo. Se a oferta cai e a procura continua, ou até aumenta, o produto fica mais caro. Nas feiras e mercados, todo mundo sabe disso.

É o que tem acontecendo no Brasil. Desde o início do ano, a estiagem foi provocando a redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas. Para poupar a água, foram acionadas as usinas térmicas, movidas a combustíveis. E essa forma de produzir energia é mais cara.

Para conseguir atender à demanda de energia, as distribuidoras têm dois caminhos.

A energia mais barata é obtida nos leilões do governo. E tudo acontece na internet. A Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, chama as usinas geradoras – hidrelétricas, térmicas, eólicas –  para participar do leilão. O governo estabelece um preço máximo que elas poderão cobrar das distribuidoras. E a vencedora vai ser aquela usina que oferecer o contrato de fornecimento pela menor tarifa.

Mas nem sempre as distribuidoras conseguem comprar toda a energia de que precisam nesses leilões. Às vezes, o preço máximo estabelecido pelo governo pode ficar abaixo daquele que as usinas geradoras querem cobrar. Quando isso acontece, elas preferem vender a energia que produzem no chamado mercado livre. E é exatamente neste mercado que as distribuidoras vão precisar comprar a energia que faltou para atender os clientes.

No mercado livre, o preço da energia varia de acordo com a oferta e a procura. O governo só estabelece um preço máximo. Neste ano de poucas chuvas, o valor do megawatt disparou e bateu no teto: R$ 822 em fevereiro deste ano, contra R$ 214 ano passado. Quase o quádruplo.

O governo marcou um novo leilão de energia para o dia 25 de abril. E espera que os preços e as condições dos contratos despertem o interesse das usinas geradoras.

“É um contrato de cinco, oito anos e, com isso, nós temos certeza que conseguimos preços que poderiam atrair tanto o gerador e que vão ser benéficos para o consumidor brasileiro”, afirma Marcio Zimmermann, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia.

Fonte:G1                                                                                                                                                               logopet