5 estratégias que podem tornar o Brasil um exportador de energia

Previsão de crescimento no mercado de gás natural pode ajudar o país a se tornar referência no setor energético

O futuro do mercado de energia no Brasil é promissor. De um lado, sobe cada vez mais a produção de petróleo no país, com o recorde de 2,65 milhões de barris por dia em 2016. Do outro, há o barateamento das fontes de energia renováveis, que torna possível levar eletricidade para as regiões mais remotas do Brasil.

Um ponto de encontro entre esses dois fatores é o gás natural. Com o crescimento da produção de petróleo, haverá um aumento no volume de produção de gás. Embora as fontes renováveis estejam cada vez mais eficientes, o sistema energético precisa de uma alternativa para eventuais flutuações. “Nos próximos dez anos, a indústria de gás crescerá exponencialmente no país. Não apenas com mais produção, mas no uso dessa fonte de energia na nossa economia”, afirma José Magela, presidente da empresa Prumo Logística.

De olho nessa tendência, o Ministério de Minas e Energia (MME) lançou o programa Gás para Crescer. O objetivo é estabelecer novas normas no setor para aumentar a produtividade e a competitividade e, consequentemente, fazer o país se desenvolver. Entre as diretrizes da iniciativa, por exemplo, está a inclusão das termelétricas na base de geração do sistema elétrico brasileiro.

A indústria de petróleo e gás deve ficar atenta às soluções mais eficientes que o mercado oferece. Veja, a seguir, algumas estratégias essenciais para diversificar a matriz energética e tornar o país um exportador de energia.

Investimento privado

A abertura do mercado de óleo e gás é uma das principais mudanças de que o setor precisa para crescer. “Quando existe um sistema fechado, sem a possibilidade de contratos flexíveis, é muito difícil fazer investimentos privados. Isso aumenta os riscos da atividade e afasta os investidores. Com a abertura, o sistema se torna mais flexível e transparente, o que diminui os riscos”, diz Magela.

Marcelo Mendonça, gerente de planejamento e competitividade da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), concorda que a abertura pode trazer vantagens para o setor. O programa Gás para Crescer, por exemplo, prevê a abertura do mercado para o investimento privado.

“É uma oportunidade de diversificar a oferta e aumentar a competitividade. A questão vai muito além da diversificação de investimentos. Até porque 20% da produção de gás natural é feita por outras empresas que não a Petrobras. O benefício virá, principalmente, nos novos projetos em expansão de infraestrutura, que permitirão o escoamento da produção de gás até os centros de consumo”, diz.

 Indústria inteligente

A digitalização dos processos produtivos – com sensores inteligentes e computação em nuvem – é uma tendência global. Ao aumentarem a coleta de dados na produção, as empresas que atuam no setor de óleo e gás e sabem utilizar essas informações têm vantagem estratégica e são capazes de tomar decisões operacionais mais rápidas e eficientes.

Segundo Magela, o setor de petróleo e gás já tem muita tecnologia associada, mas ainda é possível encontrar processos que não são medidos e que podem influenciar nos resultados. “Sempre há espaço para melhorar quando o assunto é coleta de dados e melhora na inteligência de uso dos recursos dentro da indústria. Quanto mais informações, melhor. Afinal, no Brasil, ainda temos um gasto significativo nos setores de gás natural e energia em comparação com outros países”, diz.

Usinas de ciclo combinado

A geração de energia elétrica com o gás natural é feita por meio de termelétricas, mas existem dois tipos de usinas: as de ciclo aberto, que produzem com a queima do combustível; e as de ciclo combinado, que também conseguem reutilizar os escapes da produção para produzir vapor e girar uma segunda turbina.

Termelétricas de ciclo combinado produzem, portanto, mais energia com a mesma quantidade de combustível. É por isso que a recomendação é que as novas usinas sejam desse tipo. “A usina de ciclo aberto tem uma geração de baixa eficiência, o que deixa a energia mais cara. A escolha pela usina de ciclo combinado já é praticamente uma determinação do mercado”, diz Mendonça.

Usinas de ciclo combinado ajudam também a atender à demanda que surge quando há flutuações na rede elétrica. “Nossa matriz depende muito das hidrelétricas, mas, quando os reservatórios estão baixos, é preciso buscar ajuda nas termelétricas. Uma usina de ciclo combinado é excelente para recompor os níveis de água dos reservatórios, pois a produção é confiável e diminui a necessidade da energia das hidrelétricas”, diz Mendonça.

As usinas de ciclo combinado oferecem um bom rendimento energético na transformação do gás natural em energia elétrica. Não à toa, no projeto do Porto de Açu, localizado na cidade de São João da Barra (RJ), a Prumo planeja um polo de gás natural com a construção de duas ou três termelétricas desse tipo.

“O projeto que nós escolhemos apresentava um rendimento de 70%, o que é muito superior às termelétricas de ciclo aberto. Apenas é viável construir uma termelétrica de ciclo aberto em projetos que precisam de rapidez. Caso contrário, a única escolha possível é a usina de ciclo combinado, pois a melhor eficiência energética traz mais retorno econômico”, diz Magela.

Equipamentos submarinos

São muitos os equipamentos em uma plataforma de produção de petróleo que flutua em alto-mar. Isso porque o petróleo que é extraído pode estar misturado com água, gases e contaminantes, então é preciso tratar o material antes de transportá-lo.

Esses equipamentos podem ficar na própria plataforma ou no fundo do mar. A diferença é que, quando as máquinas estão submersas, é possível usar plataformas menores e mais leves, pois elas não terão que servir de apoio para muitos equipamentos. “A plataforma fica mais eficiente e ganha flexibilidade operacional. Isso se traduz em redução de custos, menos manutenção e aumento de produtividade. Em um cenário de produção cada vez maior de petróleo e gás, essa otimização é ideal”, diz Magela.

Infraestrutura

Para que o gás natural possa ser uma opção viável no mix de energia do Brasil, ele precisa chegar aos principais centros de consumo. Isso pode ser feito de duas maneiras. A primeira é com a construção de tubulações para transporte do gás natural. E a segunda é por meio de investimento em redes inteligentes de transmissão de energia e com menos perdas operacionais.

O sistema de escoamento do gás natural produzido no Brasil ainda é limitado. Segundo Magela, há poucos gasodutos e quase todos se concentram no litoral do país. “A malha é relativamente pequena, se considerarmos o tamanho do Brasil e o potencial de consumo do país. Mas, conforme a produção aumentar, os investimentos na distribuição devem crescer.”

Segundo Magela, a mudança na infraestrutura levará a um aumento no uso do gás na geração de energia e em processos industriais, como em petroquímicas ou na produção de fertilizantes. “Isso será essencial para que o país se torne um grande exportador de energia, o que deve se materializar nos próximos anos.”

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Fonte: Exame

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