Como funciona: NFC

Você já ouviu falar em NFC? Se você viu alguém pagar o transporte público apenas encostando um cartão em uma máquina de leitura e achou que era mágica, esse post foi feito para você! Fique por dentro dessa tecnologia!

O que é?

Desenvolvida em uma parceria entre as gigantes Sony e Phillips, a chamada “Near Field Communication” (NFC, comunicação em área próxima) permite a comunicação – troca de dados – entre dois dispositivos eletrônicos compatíveis que estejam a poucos centímetros de distância ou encostados, de forma extremamente rápida e segura. No caso, primeiramente haveria a identificação de um dispositivo pelo outro e em um segundo momento ocorreria a transmissão dos dados, efetivamente. 

A NFC é uma tecnologia que surgiu a partir da RFID (Radio Frequency Identification). A RFID permite a comunicação de dois aparelhos à longa distância, por meio de radiofrequência: um deles traz uma fonte de energia e age ativamente, buscando informações no outro dispositivo, que não necessita de uma fonte de energia própria para funcionar.

A Near Field Communication, como o nome sugere, limita o campo de atuação de frequências para uma distância de até 10 centímetros. Assim, é necessário estar bastante próximo ao objeto para que haja a troca de dados. É importante observar que os dados são obtidos da fonte passiva pela fonte ativa. Assim, as informações contidas em qualquer aparelho que use a tecnologia não podem ser acessadas por outros dispositivos.

Embora a curta distância possa parecer um problema, na verdade é o grande diferencial, pois assim a comunicação se torna mais segura e direcionada para um objeto específico. Enquanto a RFID é a melhor opção para o rastreamento de animais, por exemplo, a NFC pode ser aplicada para a realização operações bancárias. Isso porque a abrangência da frequência RFID poderia ser utilizada por pessoas com más intenções, para tentar obter dados sem autorização ou clonar aparelhos.

Os dispositivos, por sua vez, não precisam ser apenas celulares e nem eletrônicos, mas qualquer objeto físico que receba o chip NFC, como crachás, chaveiros e cartões. Os chips também podem vir em etiquetas adesivas, as chamadas Tags NFC, permitindo a comunicação em diferentes itens.

Três palavras que você pode ver ou ouvir relacionadas ao NFC são:

  • Compartilhar: informação, fotos, links.
  • Parear: fazer uma conexão entre equipamentos sem a necessidade de senhas, somente com a aproximação deles.
  • Transação: pagamentos automáticos.

 

 

 

Como funciona?

Os dispositivos NFC são categorizados a partir de dois modos de funcionamento:

  • Ativo: neste modo, ambos os dispositivos geram e recebem o sinal de rádio. É o caso de uma transação financeira entre dispositivos, no qual um smartphone recebe a informação de um terminal (emissor) e em seguida emite a confirmação para o mesmo equipamento.

 

 

 

 

 

  • Passivo: um dos dispositivos emite o sinal de radiofrequência e o segundo apenas recebe a informação. É o caso de um smartphone (receptor) lendo uma das Tags NFC (emissor), ou de um cartão de acesso (emissor) sendo utilizado em uma catraca (receptor). A comunicação aqui é de apenas uma via, pois a Tag não consegue receber um sinal, apenas emitir.

 

 

 

O equipamento ativo (seu smartphone, por exemplo) geralmente procura um equipamento NFC próximo. O passivo (uma NFC tag, neste caso) começa a “escutar” quando ele chega a alguns centímetros do celular ativo e o leitor começa a comunicação. O leitor do celular decifra o sinal enviado pela tag e então executa o comando presente na mensagem. Algumas tags podem ser reescritas, então os leitores também podem atualizá-las e reutilizá-las.

Na verdade, um celular com NFC pode atuar nos modos passivo e ativo (como no exemplo acima). Como forma de pagamento em uma loja, o celular estaria no modo passivo enquanto o equipamento de pagamento estaria no modo ativo.

Já as tags NFC são equipamentos eletrônicos simples (sem baterias ou componentes móveis) com uma antena e um pequeno espaço de memória. Elas são passivas e obtém energia para seu funcionamento através de um campo magnético. Há várias formas de NFC tags: elas podem ser adesivos, cartões, cartões de visita e até pulseiras.

 

 

 

 

Aplicabilidades

Em países como o Japão, já é possível conferir a tecnologia sendo utilizada no dia a dia: em Tóquio, o sistema de metrô permite que passagens sejam compradas com a aproximação do aparelho de telefone às catracas. Desta forma, objetos comuns do cotidiano transformam-se em “objetos inteligentes”, capazes de armazenar e transmitir informações.

Existem inúmeras formas de usar a NFC além das já citadas acima. Muitos acreditam que, em poucos anos, ela deve substituir os códigos de barras e até mesmo os cartões de crédito. Assim, o consumidor não precisa mais buscar por máquinas de leitura nas lojas: basta aproximar o celular para conferir o preço do produto. Ao final da compra, para efetuar o pagamento, basta ter a mesma ação em um aparelho instalado no caixa.

A BMW apresentou um protótipo de chave que utiliza o NFC. Com ela, seria possível realizar várias atividades. Em um breve vídeo, as possibilidades são demonstradas: os usuários seriam capazes de comprar passagens de trem ou metrô usando um sistema exclusivo adaptado ao carro, além de pagar por qualquer outro serviço ou produto em pontos de venda.

Outras aplicações interessantes e muito úteis do NFC também estão listadas abaixo:

  1. Colocar uma tag NFC na cabeceira da sua cama pode fazer maravilhas para que você tenha uma boa noite de sono. Posicione-a em um local conveniente e programe-a para desligar a conectividade e os sons, além de ativar o alarme do seu aparelho.Você também pode fazer o processo reverso, permitindo que seu dispositivo reative todas as funcionalidades depois que você sair da cama.
  2. Você não precisa comprar um Tesla para ter um carro conectado: é possível fazer isso com seu carro atual, mesmo que ele seja velho. Para obter tais vantagens, basta apenas colar uma tag NFC no painel do seu automóvel e programá-la para ligar o Bluetooth, GPS e 3G, além de abrir o Google Maps, ou qualquer outro programa que você necessite, como o Weeze.
  3. Com o uso de uma tag, você também pode desbloquear o seu próprio computador através do NFC. E o melhor: usando um smartphone. Para isso, é preciso colocar a tag em algum lugar conveniente próximo ao PC e aproximar-se com seu aparelho para ativar a funcionalidade.
  4. Uma dica muito legal de uso do NFC é liberar a senha do WiFi para seus amigos quando eles forem visitá-lo apenas com o uso de uma tag. Para fazer isso, você deverá cadastrar a senha na tag com o uso de um aplicativo chamado InstaWiFi.
  5. Cole uma etiqueta NFC perto de sua porta de entrada e deixe que ela faça as coisas, como ativar o seu Wi-Fi, desligar o bluetooth e aumentar o volume da campainha do aparelho. Com o aplicativo certo (Trigger, por exemplo), você pode programar a tag para voltar as configurações originais quando o aparelho se aproximar da etiqueta uma segunda vez  (desativando o Wi-Fi e ligando o Bluetooth, por exemplo).
  6. As tecnologias de casas inteligentes tornaram-se uma tendência enorme. Mas, até agora, muitas soluções ainda são bastante caras e precisam de uma instalação muito complexa para funcionar. A maçaneta inteligente ‘Lockitron’ é um dos sistemas de automação residencial mais acessíveis. Além de ser capaz de bloquear e desbloquear sua porta com uma tag NFC, você também pode controlar o bloqueio com o seu smartphone (iOS e Android) a partir de qualquer lugar do mundo.
  7. A área de maior desenvolvimento é a de pagamentos móveis, com o apoio de empresas de telefonia, crédito e tecnologia. Utilizando um smartphone com NFC e um app para pagamentos móveis, o usuário pode cadastrar seu cartão de crédito no aplicativo ou incluir o débito na conta do telefone. Para efetuar a transação financeira, basta aproximar o aparelho de outro smartphone ou de um terminal da Cielo, por exemplo. Até o momento no Brasil, a Claro, a Tim e a Vivo são as operadoras que estão testando o funcionamento, em parceria com Bradesco, Itaú, Visa e MasterCard. Além do PagSeguro da UOL. Internacionalmente, tem-se como destaque os apps PayWave da Samsung, o Passbook da Apple e o Google Wallet.
  8. Cartão de acesso: como visto anteriormente, um dos modos de operação do NFC é o Card Emulation. Assim, o aparelho pode se transformar em uma chave codificada e única de acesso, que pode ser utilizada para abrir uma porta de um quarto de hotel, liberar catracas ou mesmo ligar um aparelho, como o Carro da Hyundai e os Eletrodomésticos da LG. A função também é utilizada como ingresso ou bilhete eletrônico, em que o usuário compra a entrada pelo smartphone e apresenta no terminal do evento em questão.
  9. A indústria dos jogos também vislumbra utilizar o NFC para expandir a experiência de jogabilidade e produzir diferentes integrações entre objetos nos games. A Nintendo já lançou bonecos com NFC para o jogo de Pokémon, no qual ao aproximar o boneco do console, o personagem era habilitado no jogo. Outras utilizações também têm sido observadas, como a inclusão de Tags NFC em jogos de cartas e criando uma interação em que o jogador devia aproximar o smartphone da carta para receber uma missão ou ver se ganhou um bônus.
  10. Distribuição de conteúdo: um usuário pode receber um conteúdo em seu smartphone a partir de uma Tag NFC. Existem os chamados Smart Posters, que são cartazes que possuem a etiqueta e tem sido utilizado pela publicidade e em eventos. Basta aproximar o aparelho do local indicado no poster e a pessoa recebe o conteúdo.

 

Ficou curioso para testar o funcionamento do NFC em casa? No vídeo a seguir, do canal Canaltech, podemos ver uma pequena explicação sobre essa tecnologia e um exemplo de como programar uma tag para se comunicar com o nosso smartphone de uma forma bem fácil:

 

Vantagens e desvantagens

O NFC nos oferece uma série de benefícios, tanto para nós, consumidores, quanto para empresas e o comércio em geral. Aqui estão alguns deles:

  • Intuitivo: as interações com o NFC não requerem mais do que apenas uma aproximação entre os equipamentos.
  • Versátil: ele é feito para ser utilizado em diversas situações e locais diferentes.
  • Aberto: a tecnologia NFC segue princípios implementados universalmente.
  • O NFC facilita a utilização de outras tecnologias, como o Bluetooth e o Wi-Fi, tornando-as mais práticas.
  • Seguro: o fato de ele funcionar através da proximidade dos dispositivos impede o vazamento de informações importantes.

Apesar de inovadora e extremamente versátil, esta tecnologia apresenta algumas desvantagens, listadas abaixo.

  • Equipamentos: o NFC requer dois equipamentos com esta tecnologia implantada.
  • Custo: como qualquer avanço tecnológico há custos atribuídos ao desenvolvimento e à implementação do NFC.
  • Conhecimento: o NFC, ainda hoje, é uma tecnologia relativamente pouco conhecida, se comparada ao Wi-Fi ou ao Bluetooth, por exemplo. Isso faz com que as pessoas que não o conhecem não saibam utilizá-lo.
  • Limitações técnicas: por mais que as aplicações sejam muitas, ainda temos a limitação da rapidez da comunicação e da memória que pode ser armazenada em cada tag ou outro dispositivo passivo.

 

Alternativas

O NFC não é o único protocolo de comunicação entre dispositivos: existem diversas alternativas, incluindo algumas opções já bem situadas no mercado.

A maioria das opções, incluindo o próprio NFC, são protocolos com alcances e frequências específicos e capacidades de transmissão de dados distintos, mas derivados de uma só tecnologia: rádio frequência (RF). A RF inclui todas as frequências na faixa de 3 kHz até 300 GHz e descreve um meio de comunicação sem fio (wireless). Apesar disso, existem concorrentes dotados de outros métodos de transmissão de informação.

Uma das principais opções seria a própria tecnologia na qual o NFC é baseado, o RFID (Radio-Frequency IDentification). Além desta, temos também:

Outra possibilidade é um método criado pela empresa brasileira Kinetics, a tecnologia Nearbytes, que utiliza ondas sonoras para transmitir informações entre dispositivos próximos. Segundo os inventores, o principal diferencial do processo é a simplicidade: diferentemente do NFC, o novo recurso dispensa hardware especial, já que depende apenas dos alto-falantes e microfones dos aparelhos envolvidos para fazer a conexão. Veja mais sobre essa tecnologia aqui.

Fontes

 

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